Sunday, February 26, 2012

Adeus, querida, eu volto um dia para passear

Da última vez em que estive em Curitiba, saí tão apressada e triste que evitei pensar e falar na cidade em praticamente todos os últimos meses. 

Em vão. Ontem, de repente, enquanto voltava de uma aula a caminho de casa, fui invadida pela lembrança súbita de como era esperar o famoso vermelhão, ônibus biarticulado que cortava grande parte da cidade. E de como foi a minha descoberta da rua XV durante uma tarde em que eu saí à caça de velhinhos que usavam bengalas. E como era bonito o museu projetado pelo Niemeyer...

Fui injusta contigo, Curitiba. Você sempre vai ser uma das cidades mais bonitas em que já estive. E sempre estará perto de mim: 

















(Placas com versos de Goethe no Bosque do Alemão. Algum burlou a aula na escola e danificou a primeira com... corretivo. Sim, corretivo, dá para imaginar? tsc, tsc)

Faça sua cidade você mesmo


Light Painter, de Tang Yau Hoong


Tuesday, February 14, 2012

Amanheça em um apartamento com janelas



Miranda Kassin e André Frateschi são ótimos. E o que dizer do Copan?


(Quero um espaço amplo assim pra mim. Quem quer rachar o aluguel?)

Um telefonema muito sério

-  Filha, a partir do dia 20 de dezembro você vai ficar três dias trancada em casa comigo.

- Ué? Como assim?

- Escuta filha, você precisa vir pra cá.

- E por que no dia 20?

- Porque é uma data importante.

- E se eu não puder ir?

- Não importa, você vai deixar tudo e vir.

- Mas por quê?

- Porque o mundo vai acabar!


(obs: minha mãe está atenta à profecia 'Maira')

Friday, February 03, 2012

Entrevistado, perdão

Ok, você mudou de ideia, o editor mudou o texto, a matéria mudou sua vida.

Para pior.


Ninguém imaginava que isso iria acontecer, muito menos eu. Até então, você era a história perfeita, o comentário geral, a promessa do dia seguinte. Você também pensava assim. Eu te liguei, você vibrou quando eu te contei que as primeiras informações já tinham sido publicadas.

Cheio de coragem, você disse que iria protestar, que ia fazer valer a pena o que tinha passado, que valia divulgar.

Até que, no dia seguinte, matéria no papel e... seu telefone tocou. Uma. Duas. Três. Vinte vezes.

Deixaram recado. E-mail. Mensagem no Twitter e no Facebook.

Virou assunto na academia, no restaurante, no ônibus. Apertaram sua campainha.

*

Comigo também a repercussão foi grande. De repente, em todo lugar, a conversa que puxavam comigo sempre tinha seu nome.

E aí eu fiquei de coração apertado sem saber se eu te ligava de novo ou mandava um e-mail. Eu liguei, você não atendeu e eu pensei mil coisas.

Esperei.

Até que você recuou. Em outras matérias, que surgiram após a que fiz contigo, notei que você disse que quer ir à luta, mas quer ir mais devagar. Quer mais sossego.

Eu estava on-line quando vi que você escreveu alguma frase solta no Facebook.

Congelei.

*

Querido entrevistado, eu não sei, exatamente, o quanto eu mudei sua vida. Em jornalismo, corremos o risco de ficarmos um pouco duros, extremamente práticos: afinal, amanhã eu vou estar em outra história, em outra ainda mais nova no dia seguinte e em mais outra no outro dia também. Você não.

Você ainda vai ter que explicar para o zilhão de amigos o que aconteceu contigo.

E é por ter consciência disso que eu peço perdão, de coração, se por acaso eu te desapontei. Saiba que, no meio das centenas de milhares de leitores, houveram muitos que concordam e apoiam você.

Eu sou um deles, apesar de estar muito tímida - agora - para tentar explicar.


* * *


Informação complementar (7/fev): meu entrevistado voltou a falar comigo. Eu me sinto a jornalista mais aliviada dos últimos tempos.

Flashs da chuva

tempo ruim


São Paulo, vista do edifício Copan, janeiro de 2012. Ainda bem que quem vê cara não vê coração. 


tempo bom?

Sunday, January 22, 2012

Sad, but true

Você só encontra seu vizinho lindo quando você está horrível.

Friday, December 30, 2011

Oração para o Ano Novo




Deus me proteja de mim
E da maldade de gente boa
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim

Caminho se conhece andando
Então vez em quando é bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando
E acha sem saber

Perigo é se encontrar perdido
Deixar sem ter sido
Não olhar, não ver
Bom mesmo é ter sexto sentido
Sair distraído espalhar bem-querer

Retrô e expectativa

Listinhas de Ano Novo são uma boa alternativa para planejar o ano seguinte e avaliar o que já passou.

Especialmente quando você coloca elas em lugar seguro e lembra onde as colocou. Fato que, é claro, não é o meu caso.

Mesmo assim, vou aproveitar para elencar aqui as coisas que, estando na lista ou não, fizeram a diferença nos meus últimos 364 dias (sim, porque ainda falta um dia para o ano - cabum!- acabar).

Quem sabe a lista não te inspira a fazer uma também?

* * * 

Neste ano, eu:

- Fiquei desabrigada e conheci todos os hotéis furrebas do centro de São Paulo por um mês e meio;

- Passei apuros;

- Decidi terminar a excursão em hotéis furrebas e, em seguida, aluguei um apartamento bonito & barato em um prédio que se tornou meu lar;

- Esqueci meu ex-namorado, aprendi a viver sozinha de novo e conheci homens legais;

- Ganhei novos melhores amigos para juntar aos velhos;

- Voltei a estudar inglês e, principalmente, a estudar nos sábados de manhã;

- Fui assaltada pela primeira vez;

- Conheci os parques de São Paulo e o caos no trânsito;

- Recebi diversos hóspedes, raros, esporádicos e quase-fixos em minha casa;

- Travei diversas brigas com o meu pulso. Não, não sou suicida, só tenho um cisto por lá;

- Fiquei muitos sábados sem sair porque estava sem dinheiro. Em compensação, fui muitas vezes ao cinema e a bares no domingo porque cansei de ficar sozinha no sábado. Conclusão: fiquei tão sem dinheiro como antes;

- Viajei muitas vezes para ver minha família, minha família viajou muitas vezes para me ver;

- Ajudei a escolher o vestido de uma noiva, viajei para ver a noiva, voltei com o vestido da noiva;

- Fiz muitas horas extras, sonhei com várias pautas, fiz minha primeira manchete e as primeiras capas;

- Aprendi a viver sem mp3. Desaprendi a viver sem jornais por mais de dois dias;

- Ganhei uma panela elétrica, voltei a cozinhar; comprei tintas, voltei a pintar;

- Passei outros apuros;

- Escrevi quase cinco vezes mais no blog em 2011 do que no ano - e em todos os anos - passado(s).

* * *

E em 2012, eu quero:


- Viajar a Buenos Aires.

- Viajar para Portugal.

- Ir a um show do Negrita.

- Ser contratada.

- Ter o gingado do mini-Michael ao lado.

Friday, December 23, 2011

Inveja jornalística é...

...o que acontece com jornalistas apaixonados de "férias" em dia de hard news (notícia quente, imprevista) de grande impacto 

O coração aperta, você vai até o computador, busca a notícia, repara no nome de todos os repórteres que estão cobrindo, presta atenção nos avisos da TV sobre o fato, comenta com o pai, o amigo, o vizinho, o Facebook, a dona da loja onde você vai comprar o presente de Natal da sua irmã. 

Você finge que não é com você, mas...: 

1) ao tirar um cochilo, sonha que está fazendo matérias parecidas
2) fala para a pessoa mais próxima, sempre como quem não quer nada, que fazer essa tipo de cobertura requer atenção nas questões x, y ,z
3) imagina um possível lead ou o espaço que vão dar ao fato
4) admite logo que está morrendo de ciúmes porque essa apuração, meu amigo, não foi sua