Ok, você mudou de ideia, o editor mudou o texto, a matéria mudou sua vida.
Para pior.
Ninguém imaginava que isso iria acontecer, muito menos eu. Até então, você era a história perfeita, o comentário geral, a promessa do dia seguinte. Você também pensava assim. Eu te liguei, você vibrou quando eu te contei que as primeiras informações já tinham sido publicadas.
Cheio de coragem, você disse que iria protestar, que ia fazer valer a pena o que tinha passado, que valia divulgar.
Até que, no dia seguinte, matéria no papel e... seu telefone tocou. Uma. Duas. Três. Vinte vezes.
Deixaram recado. E-mail. Mensagem no Twitter e no Facebook.
Virou assunto na academia, no restaurante, no ônibus. Apertaram sua campainha.
*
Comigo também a repercussão foi grande. De repente, em todo lugar, a conversa que puxavam comigo sempre tinha seu nome.
E aí eu fiquei de coração apertado sem saber se eu te ligava de novo ou mandava um e-mail. Eu liguei, você não atendeu e eu pensei mil coisas.
Esperei.
Até que você recuou. Em outras matérias, que surgiram após a que fiz contigo, notei que você disse que quer ir à luta, mas quer ir mais devagar. Quer mais sossego.
Eu estava on-line quando vi que você escreveu alguma frase solta no Facebook.
Congelei.
*
Querido entrevistado, eu não sei, exatamente, o quanto eu mudei sua vida. Em jornalismo, corremos o risco de ficarmos um pouco duros, extremamente práticos: afinal, amanhã eu vou estar em outra história, em outra ainda mais nova no dia seguinte e em mais outra no outro dia também. Você não.
Você ainda vai ter que explicar para o zilhão de amigos o que aconteceu contigo.
E é por ter consciência disso que eu peço perdão, de coração, se por acaso eu te desapontei. Saiba que, no meio das centenas de milhares de leitores, houveram muitos que concordam e apoiam você.
Eu sou um deles, apesar de estar muito tímida - agora - para tentar explicar.
* * *
Informação complementar (7/fev): meu entrevistado voltou a falar comigo. Eu me sinto a jornalista mais aliviada dos últimos tempos.